O que todos deveriam saber sobre os primeiros socorros de uma crise convulsiva
O que é uma crise convulsiva?
Crise convulsiva é uma descarga elétrica anormal, temporária e reversível, que altera o funcionamento do cérebro. Ela pode ocorrer em um dos lados do cérebro (crise focal) ou em ambos os lados (crise generalizada).
Essa atividade elétrica anormal pode se manifestar por perda de consciência, quedas, movimentos involuntários, alteração de comportamento, sensações estranhas (emoções, cheiros ou gostos), ou pela interrupção da interação do paciente com as pessoas ao redor (não responde nem faz contato visual). Algumas pessoas podem apresentar sintomas mais ou menos evidentes durante a crise, o que não significa que o problema tenha menor importância quando a crise é menos aparente.
Geralmente, a crise que mais preocupa e assusta quem presencia é a chamada crise tônico-clônica, na qual a pessoa perde a consciência, cai ao chão, frequentemente emite sons ou gritos pouco compreensíveis e, em seguida, evolui com rigidez corporal e tremores das extremidades.
O que devo fazer se ver alguém tendo uma crise convulsiva?
Ao presenciar alguém tendo uma crise tônico-clônica, o ideal é colocar a pessoa deitada, com a cabeça virada de lado, para facilitar a saída de possíveis secreções (saliva ou vômito). Afrouxe roupas apertadas, como gravatas ou botões, e retire os óculos. A cabeça deve ser apoiada sobre uma superfície confortável, como uma almofada ou uma peça de roupa. É comum que o paciente libere urina ou fezes, ou que morda a língua durante o evento.
Um mito comum é a ideia de que é preciso evitar que a “língua enrole”. A língua não enrola, e o paciente não é capaz de engoli-la. Não se deve introduzir os dedos ou qualquer objeto rígido (como uma colher) dentro da boca, devido ao risco de lesões tanto para o paciente quanto para quem está ajudando.
Também não se deve tentar interromper os movimentos dos membros nem oferecer remédios para ingestão durante a crise. Passar água fria ou álcool no rosto do paciente não interrompe a crise.
O que fazer quando a crise terminar?
Geralmente, as crises convulsivas duram menos de 3 a 5 minutos. Permaneça ao lado do paciente e monitore o tempo da crise, chamando socorro (SAMU 192) se ela não cessar após esse período.
Após uma crise convulsiva, especialmente a tônico-clônica, é normal que o paciente fique sonolento, confuso ou até mesmo agitado. Acalme-o e permaneça ao seu lado até que ele se recupere. Espera-se que o paciente melhore gradualmente ao longo de 15 a 30 minutos. Caso não haja recuperação, é importante encaminhá-lo para avaliação médica.
Toda primeira crise convulsiva deve ser avaliada por um médico. Se o paciente já tiver diagnóstico de epilepsia, a crise tiver durado menos de 5 minutos e ele estiver se recuperando adequadamente, não é necessário acionar atendimento médico de urgência.
A Liga Brasileira de Epilepsia disponibiliza online o PACE (Plano de Ação na Crise Epiléptica), que contém informações médicas do paciente e orientações gerais de primeiros socorros. O link está disponível abaixo, junto com mais informações.
Referências
https://epilepsia.org.br/epilepsia/mitos-e-verdades/
https://epilepsiabrasil.org.br/o-que-e-epilepsia/
https://epilepsia.org.br/plano-de-acao-nas-crises/